27 de abr de 2011

Espetáculo “Casa Número Nada” discute apego material

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Tudo começa escuro, sem som, sem palavras, somente há gestos. Ao entrar no seu apartamento, a personagem Renata cai em uma nova realidade até então inédita para ela: todos os seus pertences tinham sumido. Roubo? Seqüestro de bens? Pura maldade? De quem? Da vizinha? De Ladrões?

No decorrer das cenas, Renata percebe algo mais profundo: na contabilização de seus bens perdidos, a sensação de uma história de vida que se esvazia. A tv, a máquina fotográfica digital, o carregador do celular... Para cada item, uma razão para o desespero.

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Em “Casa Número Nada”, os objetos, apesar de sua natureza silenciosa e inerte, têm seu valor pelo o que representam. E é uma verdade tão dura que a platéia vai se dando conta do peso dessa representação. Nos apegamos as “coisas” como se fossem partes de carne e sangue do nosso corpo. Amamos nossos pertences sem vida como um ente querido, fato que teimamos em esconder.

Alguns orgulham-se de seu carro, de sua casa, de suas roupas caras, de seus tênis novíssimos. Outros, não vivem sem seus utensílios tecnológicos, necessidades eletrônicas inventadas que, de tantas funções, são quase mágicos, como pequenos gênios da lâmpada sempre servindo o que é pedido no momento oportuno.

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E somos, sem dúvida alguma, enganados pela beleza do que possuímos, como se fossem eternos e pudéssemos levar tudo o que compramos para o além túmulo. Adoramos nos apegar a eles, pois sempre carregam consigo um momento eternizado.

E se perdêssemos tudo, de modo fulminante, de uma hora para outra? Se nos restasse apenas a roupa do corpo, deixaríamos de ser quem somos? Nossa essência, nossas lembranças mais intimas, sumiriam com os objetos perdidos?

Ao menos, dentro do universo onírico do espetáculo, há uma resposta: somente perdendo tudo é que ganhamos uma percepção verdadeira e pura. E através de Renata, nos livramos das coisas, da ostentação desnecessária e nos despimos sem pudores e com inocência, a favor de uma vida simples e alegre, em que o consumo desenfreado, enfim, não mais existe!

 

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Logo após o espetáculo, o público conversou com a atriz Mariana Freire 

 

 

Daniel Quirino – Ascom / Cidade do Saber

 

 

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